Dissera · Originais

Dissera

Nome: Dissera
Autora: Belle Black
Tipo: Conto
Gênero: Drama/Romance
Status: Concluída
Número de Páginas: 12
Avisos: Sapatonas. Não gosta, não leia. sz


1

Mais qui est ce qui m’a dit que toujours tu m’aimais
Mas quem me disse que você ainda me amava?
Je ne me souviens plus c’était tard dans la nuit
Eu não recordo mais, já era tarde da noite
J’entend encore la voix, mais je ne vois plus les traits
Eu ainda ouço a voz, mas eu não vejo mais seus traços
Il vous aime, c’est secret, lui dites pas que j’vous l’ai dit
“Ele ama você, isso é segredo, não diga a ele que eu disse a você”

Quelqu’Un M’a Dit – Carla Bruni 

Já me disseram que a vida é curta, que é valiosa, e até que não vale grande coisa.
Já me disseram que todo mundo erra, que devemos aprender com nossos erros, mas sem dar lugar a arrependimentos. Já me disseram que só se dever arrepender do que se deixou de fazer.
Já me disseram que o amor é o melhor tempero culinário, que sentimentos ruins como tristeza e raiva passam para a comida, e que, no entanto, a fome é a melhor cozinheira.
Já me disseram que andar somente por estradas conhecidas é o modo mais seguro, mas já me disseram também que nunca é tão fácil perder-se como quando se julga conhecer o caminho.
Já me disseram que o verdadeiro amor é puro e não acaba nunca, mas também me disseram que amor verdadeiro só de pai e mãe.
…e então me disseram que você ainda me ama.
Fora um dia tão cinza quanto os outros.
Fora um dia em que eu acordei atrasada, sem você. Fora um dia em que escovei meus dentes com pressa e, como sempre, desisti de tomar um café da manhã saudável porque “hoje não vai dar”. Fora um dia em que, como em todos os outros, encontrei um pouco de paz mergulhando no trabalho e fiquei agoniada contando os minutos passarem nos poucos momentos ociosos.
Fora uma quarta-feira como as outras.
Todas as quarta-feiras, após a reunião semanal com a secretaria, sentava-nos em alguma mesa poeirenta de um barzinho qualquer das proximidades, e bebíamos em quantidade diretamente proporcional com a quantidade de “sins” falsos que havíamos dito durante a semana. Insistiam em dizer que era apenas um happy hour, um momento de transição entre o nosso mundo de crime e horror e o mundo comum das pessoas que esperavam por nós lá fora, mas todos sabíamos que era apenas uma chance de cada um ter seu próprio momento a sós com seus traumas recém enterrados.
Fora uma quarta-feira como todas as outras.
Exceto que naquele dia ele sentou a minha frente, deu um longo suspiro, e encheu o segundo copo de uísque assim que o líquido do primeiro escorrera garganta abaixo.
E então o dia ficou mais colorido.
Ficou mais colorido porque eu soube imediatamente que algo entre vocês não estava bem e uma parte absurdamente egoísta de mim desabrochou como uma flor sob o sol. E se tornou mais colorido porque uma parte absurdamente sonhadora de mim pensou que, talvez, isso pudesse ter algo a ver comigo.
Eu sabia que você tinha me amado. E sabia porque ele me dissera.
A dignidade que você tivera ao conversar com ele sobre seus sentimentos por outra pessoa, contudo, não era admirável. Ele não conseguia ver isso. Ninguém, se soubesse, conseguiria. Mas eu, que sou tua alma gêmea, via. Era egoísta.
Você não contara a seu marido porque achava que era o certo, não. Você contara a ele porque precisava não sentir-se tão culpada, tão suja. Você contara a ele porque precisava de um amigo, de compreensão, porque precisava desabafar. E, principalmente, porque precisava que alguém soubesse para te vigiar.
Você precisava de mim.
Mas eu não podia estar lá. Não mais. Não há meses.
Então, quando você não podia mais suportar sozinha – os sentimentos e as dores, mas, principalmente, o peso de ser a única responsável por cuidar que você resistisse, você planejou tudo. Um relaxante banho de banheira assim que ele chegou, com humor carregado e amargo, do trabalho. Sua refeição favorita – carne assada – especialmente caprichada, macia por dentro e com crostas crocantes por fora. Sexo rápido e sujo, sem qualquer esforço para ele, com um orgasmo forte que o deixou atordoado.
E então você contara.
Não sobre mim, não sobre o que acontecera. Mas sobre haver um outro alguém, haver sentimentos por outro alguém.
E em uma quarta-feira exatamente como essa, em uma mesa de bar exatamente como essa, ele se derramara para mim cheio de raiva e decepção.
Hoje, porém, ele não parecia desesperado. Ele só parecia cansado. Cansado e extremamente triste quando disse:
– Ela ainda o ama.
E de colorido meu dia foi para um arco-íris inteiro. As sete cores prontas para brilharem não somente como de fato eram, mas também como poderiam vir a ser caso se fizesse a combinação certa. Não de felicidade, não de alegria, mas de algo mais sublime e profundo do que isso.
Não consegui dizer nada, e limitei-me a beber minha própria dose e a segurar a mão dele. Um sorriso fraco e triste formou-se em seus lábios ao apertar minha mão de volta e virar-se para sua própria bebida.
– Como isso é possível? Que ela ainda o ame?
Já me disseram que o verdadeiro amor é puro e eterno, não acaba nunca, mas também me disseram que amor verdadeiro só de pai e mãe.
Mas isso realmente não importa…
…porque também me disseram que você ainda me ama.

2

I’m waiting for the day
Eu estou esperando pelo dia
I know you’ll have the heart
Que eu sei que você terá a coragem
And I’m hoping that you’ll say that you loved me all this time
E eu estou esperando que você vá dizer que você me amou esse tempo todo
But it turns out just the same
Mas acaba exatamente do mesmo jeito
And you break apart the things I had
E você quebra as coisas que eu tinha
Hold on, why did you say that for?
Espere, por que você foi dizer isso?

Hold On – Angus & Julia Stone

O vento trouxe aquele cheiro de maresia de que você tanto reclamava diretamente para meu rosto. Respirei fundo, não para absorvê-lo, mas porque estava parada na frente da sua casa e não tinha coragem de entrar.
Na verdade, tinha. Aquela casa, antes de ser sua, era do meu amigo de infância. Você significava muito para mim, mas jamais eu permitiria que você me tirasse isso, ou eu não seria eu. Eu conseguia encarar frequentar sua casa, caminhar na beira do mar molhando os pés descalços na água gelada, sentar-me nas grandes pedras ao lado da sua pequena casa desafiando o penhasco a me derrubar lá embaixo na areia branca, eu conseguia sentir o vento sempre salgado, sempre úmido, sempre gelado. Eu conseguia encarar conviver com sua família, família essa que eu sabia jamais poder fazer parte. Eu conseguia sentar-me à sua mesa, fazer a oração, apesar de meus tantos pecados, e comer do alimento que seu marido, meu melhor amigo, lutava tanto para trazer para a mesa de vocês.
Mas eu não conseguia encarar bater à sua porta enquanto Connor estava fora. Não por medo de não resistir a você, mas porque te aconselhar a se acertar com seu marido… não era o que eu queria. Não quando eu sabia que sua vontade de mim era tão grande quanto minha vontade de você. E eu sabia. Sabia porque ele me dissera que você ainda me amava.
– Maddison. – você disse, genuinamente surpresa.
– Ellie.
Entrei na sua casa, sempre tão limpa e arrumada, exatamente o oposto do quarto que eu ainda ocupava na casa de meus pais, todo colorido e bagunçado.
Você me seguiu para dentro, uma onda quase tão clara quanto a areia da praia escapando de seu cabelo preso, os lábios mais do que entreabertos e os olhos alertas.
– Aconteceu alguma coisa com Connor? – você perguntou, claramente preocupada.
Eu conhecia muito bem o fardo de amar alguém da nossa profissão. Vendo coisas terríveis todos os dias, desafiando pessoas que já não se importavam em matar, entrando na linha de fogo. Ao se deparar com uma situação fora do ordinário, por menor que fosse, o primeiro reflexo de qualquer pessoa que amasse alguém na nossa profissão era temer pela nossa integridade física.
Ainda assim, aquilo me magoou. Eu aparecia na sua casa depois de tanto tempo, sozinha, e era dele que você me perguntava?
– Ele pediu para eu vir conversar com você.
– Perdão?
– Connor pediu que eu conversasse com você… ele achou que outra mulher poderia… entender melhor o seu lado… aconselhá-lo. Te aconselhar.
Um som repleto de amargura escapou dos seus lábios e eu levei um longo segundo para compreender que era uma risada.
– Connor acha que tem algo de errado com você. – continuei.
– Não há nada errado comigo, Maddison. Meu casamento está perfeito.
– Se você diz… – dei de ombros. – Ele disse que você está distante.
– É só preocupação. Tenho muita coisa na cabeça.
– Seu marido é sua maior preocupação.
– Está tudo bem entre meu marido e eu. Não se preocupe.
– Se estivesse tudo bem, ele não teria me pedido para estar aqui.
Ele pediu que você viesse só para me atormentar!
Quase sorri com seu comentário.
Eu adorava que a minha presença te perturbasse. Por mais indigno que seja, qualquer tipo de reação que eu causasse em você, qualquer tipo de importância que você me desse, aquecia o meu interior e me lançava numa euforia que eu precisava me esforçar para conter.
Nesse estado quase não me importei com as palavras que vieram a seguir:
– Eu amo Connor. É só que é difícil tudo isto que estamos passando. Não é fácil ser uma boa esposa, por mais que eu queira.
– Você está tentando?
– Claro! Eu quero que meu casamento dê certo, Maddison. Estou ficando deprimida com esta conversa.
Você ousava dizer que minha conversa a estava deprimindo. E quanto a mim tendo que ouvir e aconselhar seus problemas conjugais? E quanto a mim tendo que te assistir lutar contra seus próprios sentimentos por mim… quando, eu podia ver, você também os tinha por ele?
Eu é quem estava ficando deprimida.
– Você ainda me ama? – não resisti.
– Maddison! Que questão inapropriada!
– Ama ou não? – perguntei.
Você apenas assentiu com a cabeça antes de virar-se para a janela. Você cruzou os braços e contemplou o mar cinzento e revolto lá fora.
Dor e felicidade explodiram dentro de mim e eu não consegui conter o sorriso, mal consegui conter a euforia. Minha cabeça girou… você me amava… você me amava..!
Se você me amava, então nada importava. Não importava que você me maltratava. Não importava que você me desprezava. Não importava que você quebrava cada parte de mim em um milhão de pedaços. O que importava era que por trás de todas as humilhações, você me amava. Você me amava! Não importava que você não me dava esse amor. Nada importava porque você me amava.

– Como posso fazer isso se você está na minha mente o tempo todo?
Mais uma vez meu coração girou no meu peito.
– Então fica comigo… – falei, cheia de esperança, me aproximando de você.
Mas você recuou. Como sempre, friamente, você recuou.
Como em todas as outras vezes, você me puxava, me envolvia, me elevava, e então me atirava de volta ao chão. Como em todas as outras vezes, você acendia uma luz dentro de mim e então, sem mais nem menos, me lançava de volta à escuridão.
– Eu não posso e você sabe disso!
Não tive forças para dizer nada.
Houve um momento de silêncio antes de você continuar baixinho:
– Eu não quero.
– Então não importa. – falei com frieza.
Dessa vez quem não respondeu foi você.
Gostaria de poder dizer que caminhei até a porta sem olhar para você, com o mínimo de dignidade, mas eu te observei longamente em uma última súplica silenciosa.
Você continuou de cabeça baixa, encarando o mar ao longe.
Antes de sair, eu disse:
– Você o escolheu, Ellie, e você o escolhe de novo e de novo, toda vez. Agora faça ele feliz! É sua obrigação.

3

And so it is, just like you said it should be
Então é isso, exatamente como você disse que deveria ser
No love, no glory
Sem amor, sem glória
We’ll both forget the breeze
Nós dois vamos esquecer a brisa
Did I say that I loathe you?
Eu disse que eu abomino você?
Did I say that I want to leave it all behind?
Eu disse que eu quero deixar tudo para trás?
I can’t take my mind off you… til I find somebody new
Eu não consigo tirar minha mente de você… até que eu encontre um novo alguém

The Blower’s Daughter – Damien Rice

Você estava tão, tão linda enquanto se aproximava de mim com passos que eu sabia que você pretendia que soassem firmes, decididos e inabaláveis, mas que escondiam toda a ansiedade e insegurança que você carregava naquele momento. Ninguém, ninguém naquela casa poderia saber o que você realmente estava sentindo por detrás daquela figura hipnótica de uma mulher deslumbrante, bem arrumada, e uma anfitriã perfeita, que você fazia questão de ter. Mas eu, que era tua alma gêmea, sabia te ler.
Não consegui reparar nos detalhes de sua aparência, admito, mas seus olhos me prenderam por todo o percurso. Mórbidos olhos pálidos que me encaravam com reprovação. Mas não havia nenhuma novidade nisso. Cada vez que nos encontrávamos, seus olhos traziam evidentes reprovação e acusações. Como se fosse um ultraje minha presença ali. Seus olhos me encaravam como se pudessem sozinhos me dissipar no ar, como se eu jamais estivesse estado ali, como se eu fosse um item a ser riscado na sua agenda de anfitriã, como repor papel higiênico no banheiro ou verificar se as bebidas haviam gelado o suficiente.
Teus olhos, se falassem, poderiam ridiculamente alegar que eu estava ali para te tentar, e machucar. E ele estariam adivinhando, sim, minhas vontades. Acima de tudo, estariam adivinhando meu desejo profundo e desesperado de provocar qualquer reação, qualquer emoção em você.
Teu lado egoísta conseguia entrar em contato com o meu, conseguia ler o meu. Tuas atitudes vergonhosas eram as únicas que conseguiam se igualar às minhas. E era por isso, também, que eu te reconheceria em qualquer canto do universo como minha.
Mas, ao contrário dos seus temores, eu não estava ali para te ameaçar perante a família, tampouco para fazer escândalo.
Como amiga de infância de Connor, sempre frequentei os eventos da família. Ainda hoje, sua sogra me convidava antes mesmo de convidar você. Não tão secretamente assim, ela te odiava e desaprovava, mas me adorava. Quase sempre quando estávamos sozinhas ela reclamava de você e dizia “se fosse você tudo seria tão diferente…”. Connor sabia disso. E o fazia ponderar. Você sabia disso. E te enlouquecia. E em mim as três coisas faziam arder uma satisfação culpada.
Não nego que estava ali também para te provocar. Mas não estava ali somente para te provocar. Estava ali porque você fazia parte da minha vida, da minha rotina. Todos os dias, o tempo todo. Você estava na cafeteira que eu ligava todas as manhãs e ficava ao lado da sanduicheira, porque você detesta lanches frios. Você estava nas etiquetas que eu lia para verificar se o material era sintético, porque você era alérgica à lã. Você estava nos clássicos em preto e branco que eu assistia aos finais de semana, porque você amava e me indicara.
Eu ainda estava em um relacionamento mental contigo, mesmo que não nos falássemos, mesmo que não nos víssemos. Mesmo que todas as vezes em que tínhamos algum contato fosse breve e destrutivo, e eu acabasse me sentindo ainda pior do que antes. Mesmo assim eu esperava a cada segundo que algo mudasse. Nunca mudava. Nunca acontecia nada de diferente, você nunca estava lá.
Então eu vivia meus dias e esperava ansiosamente: Connor desabafar sobre você, a mãe dele alfinetar você, alguém com quem eu tinha dividido meu segredo perguntar sobre você. Qualquer coisa que te trouxesse mais profundamente para minha realidade.
E eu contava os segundos para que sua família se reunisse, para que sua sogra me mandasse uma mensagem pouco tempo antes ou depois, dependendo de quem havia partido a ideia da reunião, de Connor me convidar.
Porque ao mesmo tempo que todo o errado da situação me fazia mal, as cores do seu sentimento me faziam bem.
O que me fazia mal, também, era o quanto a ideia egoísta e maldosa de deixar Connor saber sobre nós dançava em minha mente enquanto eu sorria e concordava, sem realmente prestar atenção, com os assuntos e piadas ao longo do evento.
Eu nunca pensava seriamente sobre contar a ninguém, eu não faria isso, mas arquitetava cada palavra e cada ação. Encenava cada reação na minha mente. Às vezes tudo que eu queria era que todos soubessem.
Não sobre os beijos quentes, a entrega, os suspiros, os gemidos.
Mas sobre as lágrimas e os soluços.Todo o resto pode ser provocado por qualquer um, com qualquer importância. Mas as lágrimas desoladas que você derrama escondida quando ele sai para o trabalho – quando ele sai para me ver – só eu posso te tirar.
Porque… porque quando ele me rejeitou, quando ele me rejeitou para ficar com você, era eu quem chorava escondida quando ele ia embora. E porque agora quando choro porque você me rejeita, é para ficar com ele que você o faz.
Choro porque me rejeitas.
Mas choro, principalmente, porque me perdi.
Me perdi quando me aproveitei da paixão que percebi você nutrir para me vingar dele. Choro porque fui estúpida o suficiente para esquecê-lo e me apaixonar por você. Choro porque você desistiu de mim, e partiu meu coração. Choro porque, para me vingar de você, me aproveitei da dor e carência dele.
Quando me entreguei ao Connor pela primeira vez, nós nem havíamos terminado a escola, e eu estava apaixonada.
Quando me entreguei a você pela primeira vez, eu estava procurando magoá-lo, magoar-te. E, acima de tudo, procurava tocá-lo, tê-lo, através de você.
Quando me entreguei a Connor pela segunda vez eu também estava apaixonada. Mas aí já era por você. E o que eu procurava continuava simples: magoá-lo, magoar-te. E, acima de tudo, tocar-te, ter-te, através dele.
Você finalmente chegou perto o suficiente para que seu perfume forte de rosas dissipasse o cheiro de maresia que você tanto odiava. Suas palavras formais continuaram a enganar as pessoas ao redor enquanto somente eu compreendia o real significado delas. Você não queria saber se eu precisava de alguma coisa ou se eu havia gostado da sobremesa, você só queria certificar-se de não deixar passar a ocasião sem me magoar com seu tom frio.
Retruquei com o silêncio.
– Maddison…
Você recuou ao dizer meu nome mais baixo, quase um sussurro. Já não era fria, apenas uma súplica sem sentido.
Não me permiti encostar, e sabia que você também não o faria, mas a distância mínima bastava para que a pele da minha mão reagisse a sua.
Você não me esperou dizer nada. Não importou, porque eu não diria.
– A única pessoa entre Connor e eu é você. – declarou.
Fui capaz de esboçar um sorriso.
– Mas eu sou também a única pessoa tentando consertar vocês.
Você ponderou sobre isso por um momento e eu pude ver o esforço que você fez para não cruzar os braços e virar-se de costas, encarando o horizonte, como você sempre fazia quando havia algo que a estava incomodando.
– Porque você o ama. – chegou a conclusão.
– Sim. – respondi.
– Porque você me ama.
– Sim.
– Porque é o certo.
– Sim.
– E porque eu ainda te amo, mesmo que nem você se ame mais.
– Sim, eu menti.
– Quando disse que não importa já que não podemos ficar juntas.
– Sim, quando disse isso.
– Porque ainda te amo.

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